A economia brasileira passou por profundas transformações ao longo dos últimos 50 anos. Partindo do Golpe Militar, o país entrou em um período de profunda centralização política sob a vigência da ditadura e experimentou, alguns anos depois, o chamado “milagre econômico”, durante o qual cresceu ao ritmo mais vigoroso de toda a sua história. Na segunda metade dos 70, as limitações mais estruturais desse processo se explicitaram, abrindo um período de crise que, apesar de estancado pelo II PND até o fim dessa década, agudizou-se de modo visceral a partir de 1980, no contexto da Crise da Dívida, hiperinflação e estagnação.

A abertura econômica do início dos 90 e o Plano Real anos mais tarde, sob a égide do Consenso de Washington, equacionaram em grande medida esses problemas, promovendo a estabilidade macroeconômica que, segundo as interpretações dominantes, permitiu o bom desempenho da década de 2000 e tornou o país menos vulnerável aos efeitos da Crise Financeira Mundial de 2008.

O balanço desses acontecimentos nos sugere inúmeras problemáticas: o país partiu de fato de uma situação de industrialização completa nos anos 60? Se sim, por que esse processo de constituição plena das forças produtivas nacionais não foi suficiente para o desenvolvimento? E mesmo que completo, não houve uma reversão desse processo, ou em um termo sintético, desindustrialização ao longo das últimas três décadas?

O papel da inserção internacional brasileira, dos mecanismos de representatividade  e governabilidade política e os avanços (ou retrocessos) políticos e sociais surgem como questões igualmente instigantes. Discuti-las é essencial não apenas para uma abordagem crítica do nosso passado, mas sobretudo para a construção consciente de um futuro.

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