A previsão ocupa posição bastante controversa em economia. Apesar de a capacidade de construir cenários futuros ser tomada como uma das mais caras credenciais de ciência para o objeto econômico – sobretudo nos círculos mais convencionais – uma avaliação mais crítica mostra que prever tem utilidade bastante limitada na área de conhecimentos humanos e sociais. 

Olhar para o futuro em economia deve, portanto, visar objetivos menos parcos do que a simples previsão de como se comportarão as variáveis macroeconômicas nos próximos anos. Discutir as possibilidades nacionais de desenvolvimento deve, na verdade, significar a apreciação ativa, coletiva e crítica dos caminhos a serem trilhados conscientemente pela Nação. 

Qual o raio de manobra da política econômica nacional, nos moldes em que opera hoje,  no sentido de manter um crescimento sustentado? Em quais sentidos é premente resolver os desequilíbrios estruturais, tais quais concentração fundiária e de renda? Como transformar os frutos do pré-sal, ou em outras palavras, de uma inserção internacional primário-exportadora, em impulsos para o desenvolvimento e para o exercício de um  papel menos subordinado no comércio externo?   É natural que as conjunturas nos explicitem de modo mais gritante essas questões mais puramente relacionadas à economia. Mas existem outras, as quais transcendem a órbita da simples reprodução material, que devem ser feitas por toda sociedade que pretende construir soberanamente um futuro: qual significado teria, em termos de organização social e política, a concretização do que entendemos por desenvolvimento hoje? Esse modelo goza de legitimidade social, uma vez que partimos de um sistema democrático? E mais, qual espaço existe para trilharmos o caminho que decidirmos em termos dos quadros em que se movem o capitalismo mundial? 

A insígnia de “país do futuro” carrega consigo elevada dose de otimismo. Mas o que a história brasileira nos mostra através de contundentes exemplos é que mesmo um futuro tão aparentemente fadado a ser bem-sucedido pode não se concretizar.

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